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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Literatura infantil ou literatura sobre infância?

Falar sobre literatura infantil é considerar as várias infâncias em diferentes contextos históricos, políticos, econômicos, sociais e culturais. Considerar a multiplicidade de experiências que “os pequenos” vivenciam no espaço e no tempo de suas histórias reais e inventadas, vividas e imaginadas, ensaiadas e dramatizadas é perceber a criança, na sua relação com o mundo.
Embora universalmente todas são crianças, elas são diferentes no gênero, na idade, nas origens, na raça, etnia, nos credos religiosos, no tipo de organização familiar, nos seus direitos de ser criança. Independente da diversidade de suas experiências, a condição de ser criança cria formas de sobrevivência numa determinada sociedade ou momento histórico. A brincadeira, o lúdico,o jogo simbólico despertam sentimentos de confiabilidade e interatividade entre as crianças, e também entre os adultos.
O enredo da história “O menino do pijama listrado” nos mostra as possibilidades do mundo infantil, quando na vivência de uma realidade atroz (segunda guerra mundial, nazismo) nasce uma amizade entre duas crianças de mundo e realidades totalmente diferentes. O modo como a criança vê a realidade é um modo peculiar da infância. Um exemplo disso está nesse trecho: Bruno queria encontrar amigos e crianças, e foi quando ele encontrou uma cerca, porém não entendia porque as pessoas do outro lado vestiam um estranho pijama listrado, e em pouco tempo criou uma grande amizade com um garoto Judeu Shmuel, uma criança da mesma idade, Judia que nasceu no mesmo dia do amigo.
Ler essa narrativa pode despertar sentimentos de dor, repulsa ao enredo, tristeza, pois ela é contada através do olhar de uma criança que nada sabe sobre os confrontos e o massacre de uma raça humana. Essa é uma narrativa simples, bem escrita que retrata a inocência e o preconceito exacerbado. A amizade de duas crianças que vivem mundos diferentes é o ema central.
Ao ler “O menino do pijama listrado” nos perguntamos: o que sabemos sobre as infâncias? Como vivem nossas crianças brasileiras (da escola, de minha rua, do bairro, da cidade, de outros lugares do Brasil)? Ainda existem preconceitos? Campos de concentração? Campos de refugiados? Quantas crianças precisam deixar morrer a inocência para viver o mundo real?
Em Belo Horizonte, no Parque Ecológico da Pampulha está em exposição, até o dia 4 de maio, o tema “Campo de refugiados”. Vale a pena conferir! O horário é de 9h às 16 horas.

Um abraço.
Bom feriado!

Rosa Del Gaudio.
30/04/2014.