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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Minha vida de Menina - Rosa Del Gaudio

Cada dia acho mais razão no conselho de meu pai de escrever no meu caderno o que penso ou vejo acontecer. Ele me disse:

“Escreva o que se passar com você, sem precisar contar às suas amigas e guarde neste caderno para o futuro as suas recordações” (MORLEY, p. 68)


Tertulianos

Amanhã faremos um passeio na máquina do tempo e voltaremos aos finais do século XIX e início do século XX. Vamos andar na criação literária da garota Helena que coloca em seu diário o olhar autobiográfico e feminino sobre alguns temas, tais como família, infância, escola, amizade, crendices, religião, etc. Os causos/casos que ela conta podem nos fazer “rir a mais não poder” ou nos encorajar para as desaventuras da vida e aprendermos com a sua avó que dizia “forte coisa! Mas poderia ser pior!”.

Maria Rosa Del Gaudio.



Eu sempre desejei ser homem e só certas horas gosto mais de ser mulher. Ontem, por exemplo, fazia um frio! Pois meu pai teve de chamar meus irmãos para levarem a besta para o pasto [...]. Os dois ficaram tiritando de frio e eu fiquei na minha cama quente, contente de ser mulher. (MORLEY, p. 75)

Com uma linguagem coloquial, Helena transcreve literalmente a prosa falada e narra com uma leveza e ingenuidade algumas características da relação homem/mulher, branco/negro, rico/pobre.

Tertulianos, nosso olhar leitor para as palavras de Helena nos provocará emoções e lembranças de um tempo vivido e que poderemos recordá-lo para recontá-lo.

Até amanhã.

Maria Rosa Del Gaudio

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Sexto Encontro - Rosa Del Gaudio

Tertulianos, nosso próximo encontro compartilharemos nossa “impressão” leitora e/ou nos reconheceremos em muitas passagens da narração de Helena; uma adolescente, que com uma linguagem simples e vocabulário original de cidade provinciana do interior de Minas, relata em seu diário, o cotidiano da família no convívio com amigos, vizinhos, políticos, religiosos, escravos, trabalhadores e outros.

A narração de Helena é uma colcha de retalhos, pequena, da história do Brasil em final do século XIX. Uma leitura agradável por ser permeada de histórias de relações sociais, culturais, econômicas, religiosas e políticas. São histórias que nos remetem ao passado de uma maneira alegre, gostosa e de uma leveza, inclusive nos momentos tristes.

Vamos nos divertir “à grande” com esse passeio no tempo de memórias que há muito tempo deixou de ser de um, e é , à medida em que a lemos, a memória de todos.

Rosa Del Gaudio

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Videos e textos - Rosa Del Gaudio


Queridos/as Tertulienses

Ainda sob o efeito dos ataques às guloseimas, preparadas com tanto carinho, dos deleites de suas vozes relatando experiências leitoras da obra "O menino do pijama listrado", compartilho com vocês alguns links que vale a pena conferir:



1 - Vídeo de uma menina antes e depois da guerra na Síria






2 - 10 Filmes sobre Crianças na Guerra







3 - Criança fica sem comida, escola, trabalha e usa arma de guerra na Síria: Folha de São Paulo 





4.  Artigo muito bom sobre o livro - Vozes roubadas: diários de guerra. Organizado por Zlata Filipovic e Melaine Challenger companhia das Letras:









quarta-feira, 28 de maio de 2014

Rosa Del Gaudio - Sensações...

O livro O Menino do pijama listrado descreve as sensações que determinadas experiências despertam, tais como :
“Eram lojas com lustrosas fachadas comerciais, e bancas de frutas e legumes repletas de bandejas em que se erguiam pilhas altas de repolhos, cenouras, couves-flores e milho. Algumas transbordavam de alho poró e cogumelos, nabos e couves-de-bruxelas; outras estavam cheias de alface e feijões-verdes, abobrinhas e pastinacas. ÀS vezes ele se divertia ficando bem na frente dessas bancas, cerrando os olhos e respirando seus aromas, sentindo a cabeça rodopiar com os cheiros misturados da doçura e da vida.” (P. 15)

“As festas na casa de Bruno eram sempre dominadas pela cantoria da avó, que por alguma razão parecia coincidir com o momento em que a mãe saía da área principal da festa e ia para a cozinha (...) O pai sempre ficava para escutar e Bruno também, pois não havia nada de que ele gostasse mais do que escutar a avó se entregar à música e libertar todo o poder da sua voz, arrancando os aplausos dos convidados ao final. Além disso, La vie en rose lhe dava arrepios e fazia os cabelos da nuca ficarem em pé.” (P. 81)

“Lá embaixo ele viu a porta do escritório do pai aberta e um grupo de homens (...). O pai estava no meio deles e parecia muito importante no uniforme recém-passado. (...) e, enquanto os observava de cima, Bruno se sentia ao mesmo tempo assustado e maravilhado com a presença do pai. Aos seus olhos os outros homens não pareciam tão bonitos quanto o pai. Nem os seus uniformes eram tão alinhados quanto o dele. Tampouco as suas vozes eram tão profundas, nem as botas tão reluzentes.” (P. 43)

E você, ao ler o livro ou ver o filme, quais sensações sentiu?


quarta-feira, 30 de abril de 2014

Literatura infantil ou literatura sobre infância?

Falar sobre literatura infantil é considerar as várias infâncias em diferentes contextos históricos, políticos, econômicos, sociais e culturais. Considerar a multiplicidade de experiências que “os pequenos” vivenciam no espaço e no tempo de suas histórias reais e inventadas, vividas e imaginadas, ensaiadas e dramatizadas é perceber a criança, na sua relação com o mundo.
Embora universalmente todas são crianças, elas são diferentes no gênero, na idade, nas origens, na raça, etnia, nos credos religiosos, no tipo de organização familiar, nos seus direitos de ser criança. Independente da diversidade de suas experiências, a condição de ser criança cria formas de sobrevivência numa determinada sociedade ou momento histórico. A brincadeira, o lúdico,o jogo simbólico despertam sentimentos de confiabilidade e interatividade entre as crianças, e também entre os adultos.
O enredo da história “O menino do pijama listrado” nos mostra as possibilidades do mundo infantil, quando na vivência de uma realidade atroz (segunda guerra mundial, nazismo) nasce uma amizade entre duas crianças de mundo e realidades totalmente diferentes. O modo como a criança vê a realidade é um modo peculiar da infância. Um exemplo disso está nesse trecho: Bruno queria encontrar amigos e crianças, e foi quando ele encontrou uma cerca, porém não entendia porque as pessoas do outro lado vestiam um estranho pijama listrado, e em pouco tempo criou uma grande amizade com um garoto Judeu Shmuel, uma criança da mesma idade, Judia que nasceu no mesmo dia do amigo.
Ler essa narrativa pode despertar sentimentos de dor, repulsa ao enredo, tristeza, pois ela é contada através do olhar de uma criança que nada sabe sobre os confrontos e o massacre de uma raça humana. Essa é uma narrativa simples, bem escrita que retrata a inocência e o preconceito exacerbado. A amizade de duas crianças que vivem mundos diferentes é o ema central.
Ao ler “O menino do pijama listrado” nos perguntamos: o que sabemos sobre as infâncias? Como vivem nossas crianças brasileiras (da escola, de minha rua, do bairro, da cidade, de outros lugares do Brasil)? Ainda existem preconceitos? Campos de concentração? Campos de refugiados? Quantas crianças precisam deixar morrer a inocência para viver o mundo real?
Em Belo Horizonte, no Parque Ecológico da Pampulha está em exposição, até o dia 4 de maio, o tema “Campo de refugiados”. Vale a pena conferir! O horário é de 9h às 16 horas.

Um abraço.
Bom feriado!

Rosa Del Gaudio.
30/04/2014.

Terceiro encontro

    Dia 29/05/2014 será nosso terceiro encontro. 
Estamos lendo o livro O menino do pijama listrado 
de John Boyne e nossa mediadora será 
Rosa Del Gaudio.




Maria Rosa Del Gaudio

ü  Graduada em Pedagogia e em Licenciatura Plena.
ü  Mestre em Educação. Dissertação: “Saberes apropriados da formação continuada: um estudo de caso de professoras alfabetizadoras da Rede Municipal de Betim”.
ü  Especialista em Psicopedagogia e em Docência Universitária.
ü  Professora na Universitária – UNINCOR e UNIPAC
ü  Professora da Rede Municipal de Betim – 1977 a 2012
ü  Roteirista e atriz do curta metragem A garota do violino