Cada dia acho mais razão no conselho de meu pai de escrever no meu caderno o que penso ou vejo acontecer. Ele me disse:
“Escreva o que se passar com você, sem precisar contar às suas amigas e guarde neste caderno para o futuro as suas recordações” (MORLEY, p. 68)
Tertulianos
Amanhã faremos um passeio na máquina do tempo e voltaremos aos finais do século XIX e início do século XX. Vamos andar na criação literária da garota Helena que coloca em seu diário o olhar autobiográfico e feminino sobre alguns temas, tais como família, infância, escola, amizade, crendices, religião, etc. Os causos/casos que ela conta podem nos fazer “rir a mais não poder” ou nos encorajar para as desaventuras da vida e aprendermos com a sua avó que dizia “forte coisa! Mas poderia ser pior!”.
Maria Rosa Del Gaudio.
Eu sempre desejei ser homem e só certas horas gosto mais de ser mulher. Ontem, por exemplo, fazia um frio! Pois meu pai teve de chamar meus irmãos para levarem a besta para o pasto [...]. Os dois ficaram tiritando de frio e eu fiquei na minha cama quente, contente de ser mulher. (MORLEY, p. 75)
Com uma linguagem coloquial, Helena transcreve literalmente a prosa falada e narra com uma leveza e ingenuidade algumas características da relação homem/mulher, branco/negro, rico/pobre.
Tertulianos, nosso olhar leitor para as palavras de Helena nos provocará emoções e lembranças de um tempo vivido e que poderemos recordá-lo para recontá-lo.
Até amanhã.
Maria Rosa Del Gaudio
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quinta-feira, 25 de setembro de 2014
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Sexto Encontro - Rosa Del Gaudio
Tertulianos, nosso próximo encontro compartilharemos nossa “impressão” leitora e/ou nos reconheceremos em muitas passagens da narração de Helena; uma adolescente, que com uma linguagem simples e vocabulário original de cidade provinciana do interior de Minas, relata em seu diário, o cotidiano da família no convívio com amigos, vizinhos, políticos, religiosos, escravos, trabalhadores e outros.
A narração de Helena é uma colcha de retalhos, pequena, da história do Brasil em final do século XIX. Uma leitura agradável por ser permeada de histórias de relações sociais, culturais, econômicas, religiosas e políticas. São histórias que nos remetem ao passado de uma maneira alegre, gostosa e de uma leveza, inclusive nos momentos tristes.
Vamos nos divertir “à grande” com esse passeio no tempo de memórias que há muito tempo deixou de ser de um, e é , à medida em que a lemos, a memória de todos.
Rosa Del Gaudio
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